terça-feira, 1 de março de 2011

Vadiagem:
Evasão das responsabilidades...
Para quê tanto espaço-tempo
Diluído em tormentas ?
Minha vida não segue em trilhos,
E sim o bando de maltrapilhos
Cujos medos me afugenta...

Lies Sweet Lies...

Sweetie...
Tens um instinto incrível para captar mentiras. E sofres, baby, pois sempre aparecem os tais sinais, mesmo que você nunca os procure em investigações minuciosas. É um detector metafísico, como se algo fosse simplesmente posto no teu caminho. Se isto é bom ou ruim, Sweetie, só o arquiteto de tua matéria é quem pode lhe responder. A única certeza é que, pelas aparências, tu tens um dom natural para sofrer. E escorrem caudalosas torrentes de lágrimas pelo teu formoso rosto, como um retrato em tons pastéis que se borra em um preto aquoso. Sweetie, poor Sweetie...
O egoísmo percorre o mundo em seu encalço, baby, singrando os mares escandinavos ou a 80km/h pelas ruas de um subúrbio "nouveau prétentieux".  Não consegues distinguir as armadilhas de suas escolhas pelas cores, sabores, sons e agonizas triste, Sweetie, nas noites em que todos os egoístas dormem o sono dos apáticos.

O Relógio...

Sou inimiga das horas
Quando a ansiedade me dita
O momento exato
Em que o desejo grita.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Más intenções...

Ninguém me conhece, portanto me apresento: sou aquela que reside na escuridão dos seus desejos de alcova, aquela que lhe desperta a angústia pelo objeto não tocado, pela sede não saciada. Sou as algemas que lhe prendem e lhe prostam diante do desconhecido que sorri, calado por intenções não decodificadas. Sou o sopro gelado que lhe traz medo nas madrugadas em que o sono lhe falta, e acompanho a ciranda de pensamentos que giram pelo teto mal iluminado quando os seus olhos nele se fixam. Sou a voz rouca do instinto a chamar-lhe para aquele lugar onde todos as agonias e prazeres se refugiam. Nesse mesmo lugar, a minha vontade sempre vencerá a sua, pois sua mão trêmula me excita, me faz querer transcender a carne furiosamente, atravessando-lhe a pele com a lâmina da palavra mais cruel, aquela capaz de desordenar totalmente o seu cotidiano, ecoando por dias a fio em cada paisagem que seu olhar captura. Fiz minha morada no seu obsessivo pensamento. E nele permanecerei até o seu fenecer.